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Enquanto a denominaçãodo protótipo dos anos 40, pau elétrico ou cavaquinho elétrico, se manteve até 1977, desenhos com forma de guitarra começaram a surgir já na década de 1950 [1]. Até o final dos anos 60 a guitarrinha serviu, exclusivamente, para tocar arranjos de temas instrumentais caranvalescas, principalmente frevos e choros, durante os dias de carnaval, quase sempre em uma carreta ou camião em movimento, transportando os músicos e amplificação, conhecido como Trio Elétrico [2]. A primeira gravação em estúdio, realizado pelo Trio Tapajós, data de 1969.
A partir de meados dos 1960, o filho mais novo de Osmar Macêdo, Armandinho (*1953), familiarizado com o instrumento desde a sua tenra infância e então com um idade em torno de 10, começava a aparecer como solista de guitarra baiana durante o carnaval. Em pouco tempo, tornou-se o mestre indiscutível da criação do seu pai, expandindo amplamente os horizontes estilísticos da pequena guitarra, introduzindo elementos do Rock e do Jazz. Em meados dos anos 1970, Armandinho, junto com a banda A Cor do Som, estabelece a guitarra baiana como um instrumento de Rock de nível nacional [3]. Em 1977, Armandinho começa a ultilizar o termo guitarra baiana como referência ao instrumento em capas de discos, batismo que permaneceu até hoje [4].
Até finais dos anos 1970, praticamente todas as guitarra baianas, inclusive aquelas utilizadas por bandas de trios 'concorrentes', foram construídos por Dodô Nascimento. Após a sua morte em 1978, a fabricação do instrumento ficou dispersa. Numerosos modelos, tais como os feitos por Vitório Quitanilha, da casa de instrumentos Del Vecchio, Luizinho Dinamite, Jader, e Jorge de Itacaranha e introduziram variações no desenho do corpo original. Em 1981, Armandinho, inspirado pelo violino elétrico do violinista Jean-Luc Ponty, acrescentou uma quinta corda (um baixo em Do) à guitarra baiana [5] e em 1985, Luizinho Dinamite acrescentou um whammy bar. Os primeiros modelos de bandolim elétrico de corpo semi-sólido foram construídos por Jorge de Itacaranha em 1996.
Hoje, apenas alguns modelos usados por Armandinho ainda possuem as medidas originais da oficina de Dodô (34,8 cm entre ponte e pestana, e uma altura de cerca de 3,5 cm). Os modelos mas recentes feitos por luthiers como Elifas Santana ou M. Laghus divergem da concepção original. Aqueles produzidos por Elifas Santana (modelo a direita) em colaboração com Aroldo Macêdo, por exemplo, tem uma medida de aproximadamente 4 cm mais comprida e também um corpo mais grosso.
A guitarra baiana desempenhou um papel importante na evolução da música popular brasileira moderna, modelando o seu vocabulário e contribuindo elementos tradicionais a vários estilos da música brasileira moderna, figurando como uma parte auténtica de todos. A ascensão do axé music é impensável sem as influências da guitarra baiana.
NOTAS
[1]
Fotografia da década de 1950 mostrando Osmar Macêdo em cima de um trio elétrico tocando um pau elétrico com forma de guitarra e um modelo semelhante ou idéntico, ambas da coleção de familia Macêdo. (Exibição "Corredor da História").
[2] Para maiores informações, ver os capitulos sobre a história da guitarra baiana
[3]
"È a massa"
Rock triletrizado no final dos 1970.
[4]
"Eu dei um nome para a guitarra que se chamava de pau elétrico, cavaquinho elétrico. Um dia falei para Moraes e para meus irmãos: “essa guitarra é baiana” . E a gente escrevia no disco do trio elétrico 'cavaquinho elétrico', passamos a escrever a partir de 1977, 'guitarra baiana'."
Armandino MACÊDO (2006)
Entrevista com 'Micaretando'
Em: Gláucia Prates Santana & Mônica Reis Pinto: Armandinho e Banda A Cor do Som
[5]
Essa idéia (5 cordas simples, afinadas Do-So-Re-La-Mi) não era totalmente nova no mundo do bandolim, pois já tinha sido realizado por Paul Bigsby, em 1952. Além disso, um mando-viola acústico com 5 cordas duplas (afinadas Mi bemol-Si bemol-Fa-Do-Mi bemol) foi construido por Lloyd Allayre Loar em 1921.
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