 Por mais grana que rendeu, a música do carnaval baiana também sofreu com o peso do seu sucesso comercial. O rico ecossistema musical dos anos 70 e até dos 80, cheio de samba reaggae, blocos afro, frevo elétrico, tropicália e tudo mais, cedeu lugar a uma monocultura voltada ao lucro sem risco, muito chegada na mídia mais artisticamente empobrecida. Ainda bem que alguma gente continuou rastreando por fora da trilha geral, construindo, nota por nota, um universo paralelo de música de carnaval.
Demorou, mas chegou. Agora, novas expressões musicais influenciadas
pelas tradições da musica baiana de carnaval estão pipocando em
Salvador, assim como em outras partes do pais. O Retrofoguetes reforça,
com muita eficiência, antigos laços entre as músicas de
carnaval e do rock baianas, e não é por acaso que as 'Retrofolias' e
'Retroressacas', festas organizadas pela banda na periferia do carnaval
principal, contam com participações especiais de Luiz Caldas e da
família Macêdo. Outros impulsos, sempre bem individualizados, vem do
Lampirônicos, que explora misturas da guitarra baiana com o Dub, do ijexá modernizado por Ronei
Jorge e os Ladrões de Bicicleta e de
Ramiro Musotto, percussionista argentino naturalizado baiano, que aproveita
dos seus anos de experiência como musico de desfile para casar
conjuntos de até cinco berimbaos com tecnologia digital sofitiscada e
samples de pagode.
Os baianos novos no Rio tambem mandam um alô: Quito Ribeiro capta
elementos percusivos da música
de rua de Salvador e desenha com eles novos quadros pelas batidas do
samba-reggae, mapeando o axé do futuro. Davi Moraes, filho de Moraes
Moreira, reune elementos como ijexá, frevo baiano e percussão
afro de maneira despreocupada e natural. Lucas Santtana
traz influencias da Timbalada e ritmos do candomblé baiano, demostrando
que a tradições do carnaval podem ter boa comptibilidade até com o mainstream. E
a banda carioca Do Amor, influenciada por Pepeu Gomes e suinge baiano, usa a guitarra baiana para fundar Jimi Hendrix
com o frevo triletrizado de Osmar & Dodô. .... Nada será como antes, amanhã.
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