Por mais grana que rendeu, a música do carnaval baiana também sofreu com o peso do seu sucesso comercial. O rico ecossistema musical dos anos 70 e até dos 80, cheio de samba reaggae, blocos afro, frevo elétrico, tropicália e tudo mais, cedeu lugar a uma monocultura voltada ao lucro sem risco, muito chegada na mídia mais artisticamente empobrecida. Ainda bem que alguma gente continuou rastreando por fora da trilha geral, construindo, nota por nota, um universo paralelo de música de carnaval.
A exposição Corredor da História divulga contextos históricos do trio elétrico, icone do carnaval da Bahia, da a invenção do pau elétrico por Dodô e Osmar no início dos anos 40 até os dias atuais. Desde o lançamento do projeto idealizado pela Associação Sóciocultural Guitarra Baianaeapoiado pela Bahiagás e a Faz Cultura, em dezembro 2007, no Hotel Tropical da Bahia em Salvador, onde permaneceu durante dois meses, a mostra viajou por várias cidades do interior do estado, realizando também ações sócioeducativas e culturais. No més de abril, passou por Feira de Santana, em julio por Nazaré das Farinhas e em agosto por Itabuna, onde contou com a participação especial da banda CharangaÉlétrica, do guitarrista Eugênio Nobre.
A familia Macêdo realiza um velho sonho de Osmar: O projeto liderado por Aroldo Macêdo, filho de Osmar e irmão de Armandinho, e seu filho Gabriel, uma escola gratuita de guitarra baiana para crianças e adolescentes, teve início em novembro de 2007, sob patrocínio da Petrobrás, Edital Cultural, Lei Rouanet e do Governo Federal. O objetivo da Oficina de Música Instrumental Osmar Macêdo, que oferece cursos de violão, cavaquinho, bandolim e percussão, entre outros, é de ensinar música brasileira a
jovens talentosos, e de ajudar a criar perspectivas profissionais. O fóco, no entanto, é de ensinar e divulgar a arte de tocar a guitarra baiana, ícone da história do Carnaval da Bahia, e do repertório estilístico tradicional tocado nela, como frevo, choro e samba.
A conspiração teve lugar no Boomerang, Rio Vermelho. na noite do 18 ao 19 de Janeiro 2008: Concretizando ideias sobre um carnaval baiano alternativo (muito) menos comercial, o Retrofoguetes, com apoio de Aroldo e Gabriel Macêdo, Ronei Jorge (Ladrões de Bicicleta) Robertinho Barreto (Lampironicos), Julio Moreno (guitarrista argentino naturalizado soteropolitano) DJ Zezão e uma banda de sopro deixaram claro que a Bahia tem mais que axé e pagode.