A guitarra baiana foi o tema central de uma oficina no Instituto Goethe, corredor da Vitória, na sexta feira, dia 14 de novembro de 2008. Sob a mediação de Robertinho Barreto (Lampirônicos), Aroldo Macêdo, Morotó Slim (Retrofoguetes) e Gabriel Dominguez, trocaram-se idéias sobre os rumos futuros da guitarrinha que, quase esquecida na década de 90, nos últimos anos tem despertado cada vez mais o interesse de artistas jovens, principalmente das áreas do rock, jazz e experimental, gente que entende a importância histórica e cultural do instrumento, e que ao mesmo tempo dispõe de um vocabulário musical novo, capaz de abrigar o tradicional e tecer novos contextos com ele, renovando a sua vitalidade e apontando novos rumos à guitarra baiana.
Por mais grana que rendeu, a música do carnaval baiana também sofreu com o peso do seu sucesso comercial. O rico ecossistema musical dos anos 70 e até dos 80, cheio de samba reaggae, blocos afro, frevo elétrico, tropicália e tudo mais, cedeu lugar a uma monocultura voltada ao lucro sem risco, muito chegada na mídia mais artisticamente empobrecida. Ainda bem que alguma gente continuou rastreando por fora da trilha geral, construindo, nota por nota, um universo paralelo de música de carnaval.
A exposição Corredor da História divulga contextos históricos do trio elétrico, icone do carnaval da Bahia, da a invenção do pau elétrico por Dodô e Osmar no início dos anos 40 até os dias atuais. Desde o lançamento do projeto idealizado pela Associação Sóciocultural Guitarra Baianaeapoiado pela Bahiagás e a Faz Cultura, em dezembro 2007, no Hotel Tropical da Bahia em Salvador, onde permaneceu durante dois meses, a mostra viajou por várias cidades do interior do estado, realizando também ações sócioeducativas e culturais. No més de abril, passou por Feira de Santana, em julio por Nazaré das Farinhas e em agosto por Itabuna, onde contou com a participação especial da banda CharangaÉlétrica, do guitarrista Eugênio Nobre.
A familia Macêdo realiza um velho sonho de Osmar: O projeto liderado por Aroldo Macêdo, filho de Osmar e irmão de Armandinho, e seu filho Gabriel, uma escola gratuita de guitarra baiana para crianças e adolescentes, teve início em novembro de 2007, sob patrocínio da Petrobrás, Edital Cultural, Lei Rouanet e do Governo Federal. O objetivo da Oficina de Música Instrumental Osmar Macêdo, que oferece cursos de violão, cavaquinho, bandolim e percussão, entre outros, é de ensinar música brasileira a
jovens talentosos, e de ajudar a criar perspectivas profissionais. O fóco, no entanto, é de ensinar e divulgar a arte de tocar a guitarra baiana, ícone da história do Carnaval da Bahia, e do repertório estilístico tradicional tocado nela, como frevo, choro e samba.